Credibilidade
Desde novembro do ano passado, a Justiça Eleitoral começou o recadastramento biométrico de eleitores em algumas cidades brasileiras para identificação através das impressões digitais nas eleições de 2010. Até março desse ano, 43 cidades brasileiras passarão pelo recadastramento. A previsão é de que em até oito anos todos os municípios brasileiros utilizem o sistema biométrico. Dessa forma, a identificação dos eleitores por meio das impressões digitais garante mais segurança no voto.

Em 2008, por exemplo, alguns deputados federais chegaram a sugerir que o voto passasse a ser impresso ou que o país voltasse a usar a tradicional cédula, depois que alguns equipamentos apresentaram falhas.

O TSE decidiu colocar o sistema à prova. Durante três dias, 32 hackers tiveram acesso às urnas para fazer ataques e tentar quebrar as barreiras de segurança, com o propósito de manipular informações. Foi a primeira vez que as urnas eletrônicas foram submetidas a testes de especialistas independentes, sem qualquer tipo de ligação com o tribunal. Nenhum dos hackers conseguiu violar a urna e os programas que serão utilizados em 2010.

Desde as eleições de 2008, o TSE adotou o sistema operacional Linux como base da programação para inserir nos equipamentos os dados de candidatos e os sistemas de segurança e contagem de votos. O Linux, que tem seu código aberto – o que significa que pode ser alterado por qualquer programador – substituiu o Windows CE, da Microsoft, e o VirtuOS, da brasileira Microbase.

Com a mudança, o TSE diz que também ampliou aos partidos políticos o acesso aos sistemas usados no equipamento. Cada partido pode auditar e até contratar empresas especializadas para fazer uma varredura no sistema.

Apesar dos testes realizados, muitos hackers ainda tentam invadir os sistemas do TSE. Em 2008, durante o dia de votação, o site da Justiça Eleitoral chegou a receber até 400 mil ataques por hora. Entretanto, as ameaças da rede mundial de computadores não conseguem alcançar as urnas, uma vez que os equipamentos não possuem nenhuma conexão com a internet ou outro tipo de rede. A máquina – que é um monobloco – é lacrada fisicamente e o acesso aos dados do disquete é feito por meio de chaves de criptografia.

O modelo atual de chave criptográfica utilizada hoje não pode ser quebrada. Somente a partir de 2011 e 2012 porque temos estudos do modelo baseado no NB5, agora SHA-1, mas estão sendo testados novos modelos de chaves criptográficas. Além disso, é bastante difícil a quebra de chaves assimétricas, há modelos que usa mais de uma chave, com camadas de segurança. Tecnicamente falando, claro que sempre haverá quem queira quebrar e aprimorar. Mas, se olharmos para o passado, qual era o risco de quebrar uma urna de papel com cadeado?”, explica Patrícia Peck.

Para ela, o Brasil evoluiu muito no processo eleitoral apoiado pela TI comparado com países como os Estados Unidos, não só na capacidade de proteger a informação como também na identificação de informação.

“Com a tecnologia e com os controles automatizados, quando menor intervenção humana menor o risco de fraude. Até porque é possível pegar a base de dados daquela urna remotamente”, conclui a doutora Patrícia.

fonte: A TI nas eleições 2010