Além de destacar as informações sobre habilidades e qualificações profissionais no currículo, candidatos que mudaram várias vezes de empresa em curtos períodos de tempo devem explicar o motivo pelo qual deixaram as companhias e fortalecer a rede de relacionamento

A busca por novas oportunidades de trabalho, em si, já é uma tarefa estressante, porém, alguns executivos sentem-se ainda mais pressionados, pois possuem em seus currículos diversas passagens curtas por diferentes empresas, o que pode prejudicar as chances de conseguir um novo emprego.

Especialistas apontam que a preocupação quanto à recolocação profissional para aqueles que trocam de emprego com muita frequência é completamente compreensível. “Gestores que estão contratando têm uma pilha de currículos para avaliar e usam qualquer ponto negativos como quesito para eliminação de candidatos”, diz a diretora da empresa especializada em redação de currículos e cartas de apresentação Best Impression, Louise Kursmark.

Com a mesma opinião dela, o autor do livro Guerrilla Marketing for Job Hunters 2.0 (sem versão em português), David Perry, é mais categórico ao afirmar que se um contratante perceber que um profissional trocou muito de emprego em curtos períodos de tempo, jamais o convocará para a entrevista.

Isso porque, segundo Louise, esse comportamento demonstra instabilidade e é prejudicial ao empregador. “Pode-se pensar que a pessoa foi demitida várias vezes, que ela não sabe identificar quais oportunidades são mais adequadas à sua personalidade ou que ela enganou o entrevistador – e nenhuma dessas hipóteses é boa”, explica ela.

Além disso, o consultor profissional Nimish Thakkar afirma que muitas companhias temem que as pessoas que mudam muito de emprego estejam agindo assim para roubar segredos corporativos a mando de concorrentes.

Mesmo que existam razões suficientes para que as organizações não contratem profissionais que trocaram de empresas muitas vezes em pouco tempo, Thakkar garante que existem maneiras de minimizar o impacto dessas passagens no currículo. Para tanto, seguem algumas dicas:

1. Cause uma boa primeira impressão
Tente focar seu currículo nas informações sobre suas habilidades e qualificações. Thakkar aconselha que, em um documento de duas ou três páginas, o candidato reserve as primeiras quinze linhas para descrever – objetivamente – quais são suas características e os motivos pelos quais a companhia devia contratá-lo. “Assim a pessoa será julgada pelas informações descritas e não somente por sua trajetória profissional”, diz ele.

Ademais, Perry sugere que os candidatos apontem no currículo a lista de projetos dos quais participaram ou lideraram. “Dessa forma, o profissional terá uma entrevista baseada em suas experiências e não nos cargos que ocupou”, afirma o escritor.

2. Não enfatize as datas
É de praxe destacar o período no qual permaneceu em cada emprego nos currículos. No entanto, no caso dos profissionais que mudaram muito de empresa nos últimos tempos, é aconselhável que não enfatizem essas informações.

Segundo Louise, uma boa opção para isso é posicionar o período no qual permaneceu em determinada posição logo embaixo do nome da organização. “Sem negrito, sem itálico”, diz ela.

3. Explique o motivo de permanência nas empresas
Em casos como fusões ou aquisições da empresa na qual atuou, vale mostrar o motivo pelo qual saiu de determinado posto. No entanto, não se pode justificar todas as curtas passagens da carreira pois tal atitude pode dar a impressão de que o candidato está buscando justificativas para ter saído das companhias.

4. Busque novas oportunidades por meio de networking
De acordo com Thakkar, a melhor maneira de aumentar as chances de recolocação profissional é por meio do relacionamento com pessoas do mercado. “É raro um candidato com passagens rápidas por diversas empresas conseguir novas oportunidades enviando currículos por e-mail”, explica ele, que complementa: “É preciso criar um vínculo para que os avaliadores não os vejam como mais um interessado na vaga e sim como uma interessante e com o perfil para assumir o cargo”.

fonte: CIO