Numa época em que bons profissionais são raros, planos de carreira flexíveis são uma alternativa para empresas dispostas a reter os melhores.

A docente da instituição belga Katholeke Universiteit Leuven, Maddy Janssens, falou de maneira bastante franca sobre as etapas necessárias para atingir uma carreira de sucesso no segmento de TI. Durante palestra proferida em evento realizado em Melbourne, na Austrália, Janssens expôs as descobertas que fez em observações de diferentes segmentos, como a indústria farmacêutica e a tecnológica.

De acordo com a professora, o ideal é estudar o roteiro profissional oferecido pelo empregador. “Por roteiro, entende-se todo o planejamento do departamento de RH das organizações, no que tange a ascensão profissional”, diz.

Expectativas e realidade
Depois de o candidato ou o funcionário descobrir qual é o combustível para a carreira dentro da empresa, vem o segundo passo: definir as expectativas e as metas. Janessens afirma que, se houver qualquer discrepância entre o roteiro do empregador e as aspirações do empregado rumo a uma carreira internacional, pode ser que outras alternativas de emprego comecem a ser levadas em consideração.

Alternativa I
“Em determinadas instâncias a ação é a saída mais apropriada. Por ação entende-se mudança. Possivelmente as aspirações do funcionário não correspondem ao proposto; chega a hora de procurar outro empregador que dê ao empregado uma posição dentro do quadro de poderes estratégicos que procura. No caso de muitos dos gerentes que entrevistei, essa oportunidade se concretiza quando procuram se alocar nas matrizes das companhias, lugar onde as decisões são tomadas”, afirma a professora.

Segundo a pesquisa, a maioria das empresas ainda não oferece um plano de carreira que atenda aos anseios dos indivíduos à procura de realização no plano internacional de uma economia globalizada. A seca que aflige o mercado de mão de obra, no que se refere a pessoas com qualificação, em Canberra, pode significar o golpe de misericórdia para empresas que não incluem planos de ascensão interessantes e atraentes. O êxodo dos talentos é iminente. Cabe aos CIOs mais precavidos identificar e tentar segurar os bons funcionários nas companhias.

O CIO da organização de logística Damatic, Allan Davis, diz que “um bom gerenciamento de TI é uma excelente medida contra a agitação no departamento”.

Alternativa II
Segundo Davis, a migração de empregos na procura por planos de carreira que satisfaçam o empregado constitui uma aproximação errônea. “É partir do princípio de que a vida dos outros é mais colorida que a própria. Faz parte das atribuições da gerência de TI garantir que os empregados jamais cheguem nesse ponto”, diz.

O executivo afirma que o pula-pula de um emprego para o outro é uma opção para empresas grandes, ao passo em que a Damatic prefere realizar promoções cruzadas dentro da própria empresa.

“Apostamos em aumentar o envolvimento dos funcionários nos negócios da empresa, e tivemos vários colaboradores mudando de área com o passar do tempo. Na época em que fui funcionário do setor de serviços, contratei um sujeito para trabalhar no laboratório; hoje em dia ele é gerente geral do departamento comercial. Assim que identifico alguém no departamento de TI que me pareça um pouco irrequieto, dou uma analisada no perfil do empregado e converso com ele, apresento todas as oportunidades em aberto e ofereço-lhe a chance de se soltar das amarras do departamento de TI.”, afirma o CIO.

Conclusão
Davis admite que segurar bons profissionais nas organizações tem sido um desafio para os CIOs, mas diz que isso é perfeitamente administrável.

“O desafio”, afirma Davis ”é manter a ocupação interessante e propor constantes trabalhos que exijam empenho por parte dos empregados. Queremos que nossos colaboradores entendam as necessidades da empresa; não acredito que um TI possa fazer um bom trabalho se não compreender profundamente quais são as demandas na organização”.

 

Fonte: Mudar de emprego ou migrar de área, a questão para quem busca crescer em TI