O presidente da Net, José Félix, reiterou a sua tese de que o mercado brasileiro ainda não demanda serviços de alta velocidade de banda larga. Segundo ele, a companhia faz testes com a velocidade de 60 Mbps e não viu, até o momento, nada que demandasse esse montante.

Nesta quarta-feira, 22/07, a Net Serviços divulgou os resultados financeiros e operacionais do segundo trimestre. No balanço, já estão incluídos os clientes da Big TV. A operadora chegou a 3,48 milhões de clientes de TV paga, o que representa um crescimento de 28% no período de um ano. Em relação ao trimestre anterior, o aumento foi de 4% (a base era de 3,347 milhões de assinantes).Os resultados não levam ainda em consideração os assinantes da ESC 90.

Apesar dos esforços da concorrência em aumentar os pacotes de maior velocidade – GVT com pacotes de até 100 Mbps e a Telefônica, com o piloto de FTTH, com velocidade de 30 Mbps, o presidente da Net mantém seu ponto de vista. “Não há mercado nem demanda para essas velocidades no mercado residencial que é o grande foco de nossa atuação”, sustentou.

Na banda larga, a Net registrou 2,605 milhões de clientes, o que é um crescimento de 45% no ano e de 6% no trimestre (a base anterior era de 2,452 milhões de clientes). Questionado dos esforços feitos pela empresa para ganhar novas adições diante da probição da venda do Speedy, produto concorrente da Telefônica, no Estado de São Paulo, a Net adotou uma postura cautelosa.

O presidente da empresa, José Félix, preferiu não revelar números. Disse apenas que ‘sentia uma melhoria nas vendas de julho, mas que, no momento, a preocupação estava em consolidar os números do segundo trimestre’. Indagado ainda sobre o efeito da 3G e da banda larga móvel no negócio de banda larga da empresa, o executivo disse não ter sentido qualquer impacto.

“Foi um lançamento de grande impacto, mas tem uma função específica. Não acredito que a conexão móvel esteja substituindo a fixa ofertada pela Net, até em função da qualidade do nosso produto, muito acima da ofertada pela rede 3G, hoje, no país. Acredito na 3G, mas como um produto complementar”, sinalizou Félix.

Com relação às panes da Telefônica do ponto de vista técnico – já que na concorrência a proibição da venda do Speedy foi um fato, sim, favorável para a companhia – o presidente da Net disse que a companhia está em alerta máximo. Mas observou que a rede da empresa é descentralizada, baseada em fibra óptica e cabo coaxial.

“Totalmente diferente das teles que centralizam tudo e têm suas redes com cabos de cobre. Se paramos, porque acidentes acontecem, paramos em áreas determinadas. O perigo de uma pane generalizada não existe”, estacou Félix. Segundo ele, boa parte do investimento da empresa é dedicada à melhoria da infraestrutura de rede.

Um dos grandes pulos da provedora no período foi no serviço de voz. E a portabilidade numérica tem um efeito significativo. No resultado, o serviço de voz encostou ainda mais na base de banda larga, e totalizou no final do segundo trimestre 2,286 milhões de clientes, 105% de aumento no ano e 11% de aumento no trimestre.

Apesar de não querer revelar números formais com relação ao efeito da portabilidade numérica – onde o cliente troca de operadora, mas mantém o número do telefone – a Net garante que 2/3 dos clientes de voz estão vindo do serviço. “Em cada linha perdida, ganhamos 15”, enumerou o diretor financeiro, João Elek.

As receitas líquidas da Net chegaram a R$ 1,1 bilhão no primeiro trimestre (aumento de 24% em relação ao mesmo período de 2008), e o EBITDA foi de R$ 287 milhões, com margem de 26%. O lucro líquido da companhia também saltou 361% em um ano, para R$ 130 milhões no trimestre. A empresa manteve a previsão de investir R$ 1 bilhão em 2009.

fonte: Convergência Digital